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  • jul 26 / 2013
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Sem categoria

Marketing e gestão colaborativa para campanhas de crowdsourcing

Empresas que buscam se diferenciar com a inovação de produtos e serviços têm recorrido, com cada vez mais frequência, à diversidade da internet para encontrar soluções capazes de lidar com a complexidade dos seus desafios.

Entretanto, usar o conhecimento difuso da rede em prol da inovação empresarial ainda não é uma tarefa trivial. Embora as ferramentas para a criação de campanhas de crowdsourcing tenham se multiplicado nos últimos anos, o segredo de um projeto bem sucedido de co-criação em plataformas desse tipo reside, especialmente, na combinação de uma especificação detalhada das necessidades da companhia, no design e execução de uma campanha realmente engajadora. Ou seja, é fundamental que os times de marketing e da área diretamente afetada pelo projeto trabalhem em profunda sintonia, desde a concepção até a conclusão do desafio.

Em uma artigo recente publicado no blog da Havard Business Review, Ahmad Ashkar, CEO do Hult Prize – plataforma de crowdsourcing  para empreendedores sociais – elencou algumas regras para se obter sucesso em um concurso de crowdsourcing. Entre os princípio descritos por Ashkar estão a delimitação clara das fronteiras do desafio,  a demanda por soluções de alto impacto para o negócio e a abertura da campanha para o maior número de potenciais contribuintes, com o intuito de garantir uma diversidade ampla de propostas.

Em uma palestra que concedi no primeiro TedX VilaMadá, em 2009, apresentei alguns resultados de uma das primeiras pesquisas sobre crowdsourcing virtual conduzida por uma instituição de renome, a Havard Business School. O grupo de pesquisadores da escola investigou como se dava a dinâmica de resoluções de desafios no ambiente da Innocentive, uma das líderes globais desse segmento.

O estudo chamava a atenção por mostrar que a maior parte das soluções para os desafios postados não vinham de especialistas das áreas de conhecimento diretamente relacionadas aos problemas, mas de profissionais de campos próximos – e, às vezes, distantes -, que, justamente por conta desse distanciamento, conseguiram oferecer respostas pouco usuais e, em grande parte, inovadoras.

A atração de um público variado – e sua consequente multidisciplinaridade -  é, portanto, uma variável que pode determinar o sucesso ou fracasso de uma campanha de crowdsourcing. Uma tarefa a ser desempenhada a partir da inteligência do marketing , mas que será melhor sucedida quando executada em formato similar ao do próprio modelo – se utilizando da diversidade corporativa, e suas múltiplas competências, para encontrar as melhores estratégias de captura de conhecimento.

  • jul 05 / 2013
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Estratégia, Inovação, Redes

Big Data e o transporte público: uma alternativa às soluções tradicionais

O transporte público está no centro debate político brasileiro, mas as soluções para torná-lo mais eficiente parecem ainda distantes. E, como sempre, emergem de um receituário tradicional, que se utiliza mais da intuição do que das informações geradas diariamente pelos usuários de ônibus, metrô e outros modais.

Mas com o ferramental tecnológico disponível, por quê não enveredar pelos caminhos da inovação e usar, por exemplo, o estudo de redes como suporte ao planejamento de ações de correção e melhoria do sistema? Os dados estão disponíveis, assim como os softwares de análise – e o melhor: os membros da gigantesca rede dos transporte público (as pessoas) são usuários ativos e estão (muito) interessados em melhorar sua experiência.

Recentemente, uma equipe liderada pelo pesquisador Lijun Sun, do Future Cities Laboratory, de Cingapura, fez algumas descobertas fantásticas quando resolveu estudar a rede construída pelos usuários de ônibus de sua cidade. Usando a base de dados do smart card de Cingapura – o Bilhete Único de lá -, Sun e seus colaboradores foram capazes de mapear 20 milhões de viagens, feitas por quase 3 milhões de pessoas, ao longo de duas semanas, e identificar diversos padrões de comportamento e hábitos coletivos.

A intenção da equipe era estudar a rede que se forma entre “desconhecidos familiares”. Aquelas pessoas que vemos todos os dias no ônibus ou no metrô, mas com quem nunca trocamos um palavra – uma rede poderosa, que se confunde com o próprio tecido social das grandes cidades e pode ajudar a explicar, incentivar ou combater inúmeros fenômenos, como a formação de comunidades e a disseminação de doenças contagiosas, por exemplo.

A rede de "desconhecidos familiares" de Cingapura.

A rede de “desconhecidos familiares” de Cingapura.

Ao analisar os hábitos e comportamentos dos habitantes de Cingapura, os pesquisadores do Future Cities Laboratory descobriram que 85% dos encontros entre “desconhecidos familiares” acontece no mesmo horário e são mais frequentes pela manhã, comprovando que grandes grupos de pessoas tendem a se comportar de forma mais regular nas primeiras horas do dia. A pesquisa trouxe outros inúmeros insights, mas os pesquisadores não analisaram a relação entre os hábitos dos usuários e a qualidade do transporte na cidade – talvez, porque o sistema de ônibus de Cingapura já é avaliado como satisfatório pelos seus clientes.

Mas o fato mais animador é a realização de tal pesquisa, e não seus resultados. O estudo é fruto da colaboração entre acadêmicos e o poder público – ou melhor, ele resulta da decisão de um governo que optou por disponibilizar sua base de dados para que especialistas possam ajudá-lo a desempenhar melhor sua função primordial: promover o bem estar da população sob sua responsabilidade.

A mesma decisão foi tomada há alguns anos pela prefeitura de Londres, por meio da sua lei de transparência, a Freedom for Information Act (2000). Ela permite o acesso à base de dados da Transport for London, entidade que gerencia o transporte público da metrópole. Uma política que vem permitindo a criação de iniciativas para incentivar o uso do transporte público, a partir de uma leitura cuidadosa dos dados e montagem de estratégias mais conectadas aos hábitos dos seus usuários.

Um desses projetos, o Chromaroma, é uma game planejado para ser jogado pelos usuários do metrô londrino. Criado pela Mudlark, o jogo usa os Oystercards como peça chave do projeto – já foram emitidos cerca de 43 milhões de cartões do tipo. Sempre que um jogador passa seu cartão por uma catraca do metrô, ele acumula pontos e ingressa no universo do jogo, que inclui a busca por prêmios nas estações, a competição entre os participantes e a visualização dos seus hábitos de transporte em 3D.

A gamificação do metrô londrino esconde ainda uma estratégia pública fundamental: incentivar o uso do sistema fora da “hora do rush”, aliviando a pressão sobre a malha de transportes da cidade.

Também em Londres, a Plāçr, empresa especializada em gestão de dados e sistemas de transportes, lançou uma série de aplicativos mobile que permitem aos usuários escolher qual melhor rota, veículo e horário para se mover de um ponto a outro da cidade. Utilizando os dados do Transport for London combinados com informações passadas por veículos especiais equipados com GPS, a empresa consegue verificar os horários exatos das paradas de cada ônibus e metrô que circulam pela região selecionada e estimar o tempo da viagem desejada – tudo em tempo real, para incentivar o uso de rotas alternativas e reduzir o uso dos modais mais sobrecarregados e, portanto, lentos.

Bilhete Único (SP): 25 milhões de unidades ativas.

Bilhete Único (SP): 25 milhões de unidades ativas.

No Brasil, a abundância de dados sugere que modelos similares podem ser criados com facilidade. Estima-se que, apenas em São Paulo, existam cerca de 25 milhões de Bilhetes Únicos ativos, utilizados para viagens de ônibus, metrô e até aluguel de bicicletas. Uma base de dados de uma riqueza inestimável para empresas e pesquisadores que se dediquem a tratar essas informações com inteligência. O smart card brasileiro também já é utilizado em outras cidades, como Rio de Janeiro, Porto Alegre e Fortaleza – e, em pouco tempo, deve se tornar o meio de pagamento padrão do sistema de transporte das grandes cidades brasileiras.

Já sabemos das suas vantagens como facilitador da vida do usuário, das empresas e do poder público na arrecadação das tarifas dos sistemas – e até no aumento da sua eficiência, dado seu caráter eletrônico. Mas quando vamos despertar para a inteligência que pode ser criada com a utilização do Big Data construído diariamente por seus usuários? Talvez a análise profunda desses dados possam gerar algumas das soluções mais eficientes e baratas para o caos das grandes cidades brasileiras. Temos os dados e a tecnologia. É preciso apenas promover esse encontro.